Com 28 anos de atuação, Calza Neto acompanhou mudanças que levaram temas como proteção de dados, cibersegurança e inteligência artificial ao centro das decisões empresariais e das consultas jurídicas.
Há pouco mais de duas décadas, os processos ainda corriam em papel, os contratos dormiam em arquivos de aço e a palavra “dados” quase nada dizia para uma empresa ou um escritório de advocacia. Hoje, vazamentos, ataques cibernéticos e inteligência artificial ocupam o centro das decisões empresariais e redefiniram o que se espera de um advogado. A relação entre Direito e tecnologia deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade presente no cotidiano de empresas, profissionais e consumidores. Nas últimas duas décadas, a digitalização dos negócios transformou processos, criou novos riscos e trouxe para o ambiente jurídico questões que, até pouco tempo atrás, tinham pouca relevância nas decisões empresariais.

Essa transformação também marcou a trajetória de Calza Neto, advogado que há cerca de duas décadas decidiu aproximar sua prática profissional do universo tecnológico. A escolha aconteceu antes de temas como proteção de dados, inteligência artificial e cibersegurança ganharem a dimensão que possuem atualmente.
Ao longo desse período, o cenário mudou de forma significativa. Processos deixaram o papel, empresas passaram a depender cada vez mais de sistemas digitais, dados passaram a representar ativos estratégicos e ataques cibernéticos começaram a colocar em risco operações inteiras. Mais recentemente, a expansão da inteligência artificial acrescentou novos desafios relacionados à utilização de informações, contratos, propriedade intelectual e tomada de decisões.
É nesse cenário que o advogado desenvolveu sua atuação. Sócio fundador do CNK Advogados, trabalha principalmente com Direito Digital, proteção de dados, propriedade intelectual, cibersegurança e compliance. A atuação também se estende a funções ligadas à governança e à gestão empresarial. Como conselheiro e compliance officer, participa de decisões relacionadas a inovação, tecnologia, integridade, governança e gerenciamento de riscos. Também atua como DPO e consultor de empresas de diferentes setores.
Outro segmento de sua trajetória está relacionado à propriedade intelectual. Há cerca de dez anos, atua como perito judicial e assistente técnico em disputas que envolvem marcas, trade dress, direitos autorais e outros ativos intangíveis.
O Direito antes e depois da transformação digital
A digitalização modificou não apenas as ferramentas utilizadas pelas empresas, mas também a natureza dos problemas jurídicos enfrentados por elas. Se anteriormente grande parte das questões estava concentrada em contratos, relações comerciais e disputas tradicionais, hoje empresas precisam lidar também com vazamentos de dados, ataques cibernéticos, fraudes digitais, uso de inteligência artificial, proteção de marcas no ambiente virtual e riscos relacionados à reputação.
Nesse contexto, a atuação jurídica passou a exigir uma compreensão que ultrapassa o conhecimento técnico da legislação. É necessário entender como o negócio funciona, quais tecnologias são utilizadas e quais riscos podem surgir a partir dessas operações.

Para o advogado, essa mudança representa uma transformação no próprio papel da advocacia empresarial. A atuação jurídica não deve ocorrer somente depois que um problema acontece. A identificação antecipada dos riscos pode fazer parte da estratégia de prevenção de crises, prejuízos e processos.
Inteligência artificial amplia novos desafios
A chegada da inteligência artificial representa uma nova etapa dessa transformação. Ferramentas capazes de analisar informações, produzir conteúdos, automatizar tarefas e auxiliar processos de decisão estão sendo incorporadas por empresas de diferentes segmentos. Ao mesmo tempo em que essas tecnologias criam oportunidades, também levantam discussões sobre responsabilidade, proteção de dados, propriedade intelectual, segurança da informação e governança.
A questão, portanto, não se limita à capacidade tecnológica das ferramentas. Envolve também a forma como empresas e profissionais decidem utilizá-las. Quanto maior o alcance da tecnologia, maior se torna a necessidade de estabelecer critérios para sua utilização, avaliar riscos e compreender as consequências das decisões tomadas a partir dessas ferramentas.

Entre inovação, risco e decisão
A trajetória construída pelo advogado acompanha justamente essa mudança de cenário. O que começou há cerca de 20 anos como uma aproximação entre Direito e tecnologia tornou-se uma área central de sua atuação profissional. Hoje, temas como proteção de dados, cibersegurança, inteligência artificial, propriedade intelectual, compliance e governança fazem parte de discussões estratégicas dentro das empresas. Mais do que acompanhar a evolução das ferramentas tecnológicas, o desafio passa a ser compreender como elas alteram relações, criam responsabilidades e modificam a forma como decisões são tomadas. É nesse espaço entre inovação, risco e decisão que se concentra uma parte importante da atuação profissional construída ao longo de quase três décadas de advocacia, uma trajetória que começou no Direito analógico e acompanha, atualmente, uma nova realidade marcada pela inteligência artificial e pela transformação digital.
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