Aos 24 anos, Danilo Ferreira Neves, mais conhecido como Jaquetinha de Couro, é hoje uma das figuras mais queridas do humor nas redes sociais. Natural de Brasília de Minas (MG), ele alcançou milhões de seguidores após uma jornada marcada por persistência, criatividade e superação — uma história que começou muito antes da fama.
O sonho que nasceu na infância
Desde pequeno, Danilo sonhava em trabalhar com internet e ser reconhecido pelo seu talento. Aos 18 anos, decidiu dar o primeiro passo: vendeu sua moto para montar um setup gamer e iniciou sua carreira como YouTuber gamer, produzindo vídeos e fazendo lives. Mas, sem apoio da família e diante da necessidade de trabalhar, teve que abandonar o sonho.

Da construção civil às entregas: a realidade que não apagou o desejo de criar
Com o fim do canal, Danilo passou anos trabalhando com gesso em obras, até se mudar para Belo Horizonte, onde atuou como atendente de pet shop. Mesmo assim, a paixão pela criação de conteúdo continuava presente.
Quando começou a namorar uma jovem de sua cidade natal, decidiu voltar para Brasília de Minas e, para se sustentar, passou a trabalhar como entregador da Shopee. Foi esse emprego que lhe permitiu, aos poucos, retomar o sonho que havia deixado para trás.
O nascimento de Jaquetinha de Couro
Danilo começou a gravar vídeos de humor no TikTok, enfrentando diversas desistências até um dia decidir: “Vou começar do zero e ninguém vai me parar.” A virada veio quando, usando uma jaqueta de couro, um colega de trabalho sugeriu que ele adotasse o nome artístico “Jaquetinha de Couro”. Assim nasceu seu personagem principal.

Pouco depois, encontrou uma roupa velha no quintal de casa — que seria responsável pela criação de seu personagem de “velho”, marcando o verdadeiro ponto de virada. Mesmo sem ter mais a jaqueta original, o nome ficou. E o público abraçou.
A chegada de Dona Valentia
Em meio ao crescimento, surgiu Jeferson Henrique Ferreira Santos, de 16 anos, que tinha o sonho de criar conteúdo. Danilo decidiu ajudá-lo: pegou um vestido da mãe, uma peruca da vizinha e criou a personagem Dona Valentia. O primeiro vídeo viralizou no mesmo dia. De presente, Jeferson ainda lhe deu um chapéu que combinou perfeitamente com o personagem de velho.

A moto de R$ 800 e o aumento da visibilidade — junto com as críticas
Em uma visita à casa de um amigo, Danilo viu uma moto velha e decidiu que ela precisava fazer parte dos vídeos. Insistiu até que o dono aceitasse vender por R$ 800 parcelado. A moto virou parte da identidade dos conteúdos — e o crescimento foi imediato.
Mas as críticas também aumentaram. Tentando conciliar o trabalho de entregas com a criação de vídeos, Danilo sofreu vários acidentes, estragando encomendas ao tentar chegar mais cedo em casa para gravar. Um dia, ao pegar as entregas, encontrou uma nota falsa de R$ 100 com uma mensagem cruel:
“Jaquetinha de Couro, coluna torta, nunca vai ser ninguém.”
Ele segurou o choro no trabalho, mas, ao chegar em casa, desabou. Mesmo assim, não desistiu.

A viagem ao Ceará e a consolidação do sonho
Determinado, Danilo foi convidado para participar de um programa na fazenda do cantor Júnior Viana, no Ceará, ao lado de vários humoristas. Sem condições financeiras para viajar, criou uma vaquinha online — e seus seguidores o ajudaram a realizar o sonho.
No Ceará, conheceu influenciadores que o ensinaram muito sobre criação de conteúdo, profissionalização e estratégias. Ao voltar para sua cidade, tomou a decisão mais difícil: abandonou o emprego de entregador para viver exclusivamente da internet.
De um sonho desacreditado a milhões de seguidores
Hoje, Danilo vive do sonho que carregava desde criança. Seu trabalho já alcançou números expressivos:
- 1,9 milhão de seguidores no Instagram
- Dona Valentia com 900 mil seguidores
- Mais de 1 milhão nas outras plataformas
A trajetória do Jaquetinha de Couro é um exemplo de como talento, persistência e fé em si mesmo podem transformar vidas. O menino que ouviu que “nunca seria ninguém” hoje inspira milhares de pessoas que, como ele, sonham em mudar de vida através da internet.








